terça-feira, 19 de março de 2013

Ah, sua boba. Você e esse teatrinho de ser durona. Quem vê até pensa, quem vê até imagina que você é assim, tão má, tão fria, tão perversa. Mal sabem eles como você é delicada, gentil e amável. Não com todos,aliás, com ninguém. Você guarda toda essa delicadeza por medo, eu sei. As pessoas te pisam quando você é assim. Então você prefere... usar essa máscara aí. Meus parabéns, viu? Engana meio mu...ndo, mas não a mim. Conheço o aperto em seu coração à noite, conheço o choro baixinho, conheço seu gosto por comédia romântica, conheço você. Já te fizeram sofrer, e muito, eu sei. Sei também que você finge não se importar, mas se importa até demais. Sei que se preocupa, sei que ama, sei que sente. Você simplesmente esconde isso. Se bem que no fundo, ainda resta uma pequena esperança contida no seu coração. Você, disfarçadamente, ainda tem fé de que tudo vá dar certo. Amor, família, amigos. Um futuro, um príncipe, uma história de amor. Você, no fim, continua sendo apenas uma garotinha que se entrega demais, que sente demais, que se machuca demais.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Ela Não Quer Alguém Pra Dividir o Brownie...



Ela é solteira. Não sozinha. Ela pinta as unhas de vermelho quando quer. Mas, também, sabe deixar as unhas em cacos ...
quando dá vontade. Esbanja esquisitices ao falar dos seriados prediletos. E se cala quando o assunto é sobre o porquê dela não ter namorado. Ela usa vestidos de tricô, daqueles clichês para tomar chá quando o tempo é frio. E bebe cervejas em canecas, como homens pré-históricos. Ela ri de palavrões e de piadas de humor negro. Mas, também, se derrete mais do que picolé em frigideira quando recebe um SMS romântico de madrugada. Mas por que não namora?
Ela acorda, escova os dentes de quem já usou aparelho, toma chocolate quente, se arruma e vai trabalhar. Prefere usar preto. Mas desbanca qualquer havaiana bonita quando inova em alguma vestimenta cheia de flores coloridas. Ela é linda e desconversa. Fala do tempo, do futebol, da novela, da mãe, da crise do Paraguai e do Joseph Gordon-Levitt. Mas por que tu não namoras?
Quando o assunto é sexo, ela fala menos do que escuta. Escuta com os ouvidos, com os olhos, com a boca e com os pêlos da coxa. Transa menos do que deseja. E sabe esconder alguma aspirante a Sônia Braga dentro daquele decote comportado. Ela curte os Beatles, os Novos Baianos, Caetano e o Cícero. E fala que eu tenho péssimo tom de voz. Lê Caio, Keroauc, Fante e Gabito. Mas diz que, também, gosta das minhas histórias.
É estranha, também. Assumo. Corta o cabelo de acordo com as fases da lua e gosta de comer macarrão com feijão. Gosta de umas bandas que ninguém conhece e chora com as histórias do Nicholas Sparks. Liga o ar condicionado porque gosta de dormir sentindo frio e acaba repousando feito uma esquimó com meias e edredom. Uma linda esquimó, por sinal. Não sabe usar o celular. Costuma atender as ligações somente após a quarta tentativa de chamada. Não, ela não ignora. Ela perde tempo é procurando o celular na bolsa, debaixo da cama ou na pia do banheiro. Mas, vez em quando, ela sabe ignorar também. Não sabe dançar. Recusa os convites, mas adora ser convidada. Odeia batom e gosta de brincos de pena.
Mas por que ninguém conseguiu ultrapassar esse muro de Berlim que você ergueu no teu peito? Ela desconversa. Ri de canto de boca e me pergunta se eu fumo tentando desviar o assunto pra longe. Eu insisto. Falo coisas demodês e jogo no ar o fato de que eu a acho perfeita. Ela empina o nariz o fino, me lança seus olhos verdes escuro e ajeita-se sobre a mesa. Muda o tom e me fala: “Porque eu não quero”. E eu rio sem graça da minha maldita ideia de achar que todo mundo quer ter alguém para dividir os brownies.

= Hugo Rodrigues

quarta-feira, 6 de março de 2013

Apenas mais uma manhã lá por agosto de 2003!

Eu, como sempre, acordaria mais cedo e mesmo com uma vontade imensa de te ter acordado não estragaria seu sono, passaria horas olhando você sonhar sem saber ao certo se seria comigo, com seus planos ou com uma bobeira qualquer, mas em cada respiração sua encontraria um novo motivo para me manter ali te olhando, me apaixonando mais a cada segundo...
No meio dos meus devaneios você acordaria, com aquela típica cara de sono, um sorriso nos olhos e na boca uma satisfação por saber que a realidade consegue sim, às vezes, continuar como sonho. Chamaria minha atenção com as suas clássicas frases matinais: Bom dia lindinha, já está viajando desde cedo?...
A gente decidiria que o melhor programa para aquela hora era falar, sobre tudo e nada, com a boca e com os olhos, até que o outro não suportasse mais a distância (mesmo que mínima). Deixaríamos de ser dois, para nos tornar um conjunto ritmado de desejo e cumplicidade, um estava pelo outro e o universo se resumia naquela entrega sem fim...
Ainda embriagados pela manhã preguiçosa, arrumaríamos força para sair daquele infinito particular, afinal, não é só de amor que vive o corpo. Você com seu jeito protetor, me levaria até a cozinha, citando as opções para um desjejum rápido, pois naquele dia pouco importava o que comeríamos...como se aquilo fosse mero cumprimento de agenda...a gente tinha pressa pra regressar pro nosso canto.
Imagina só, depois de uma manha dessas, quais surpresas podia a tarde guardar?

sexta-feira, 1 de março de 2013

“Vamos fingir que tudo está bem. Que as piadas do palhaço ainda são engraçadas e que o coração não dói. Que o ambiente reservado para fumantes não sufoca e que esperar na fila do banco não cansa. Vamos fazer parecer que nenhuma música é uma lembrança e que o cheiro não grudou na ponta do nariz. Vamos fingir que eu não o vejo em todo canto e que o meu lado da cama dele ainda espera por mim. Vamos fazer de conta que esse espaço todo não aperta e que o que sinto não é necessidade. Vamos fechar os olhos e imaginar que esse ainda não foi o inicio do fim.”
— Casebre.