quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Você chegou inofensivo e, quando dei por mim, minha vida já estava de cabeça pra baixo. Quando eu vi, já estava assim, você deitado no sofá, tirando o controle da minha mão, da minha vida. Abriu minhas gavetas, revirou minhas coisas, pegou meu caderno de regras e saiu riscando tudo. Que abuso. Quem você pensa que é? Quando fica desconfortável, vai mudando de posição, todo espaçoso, pegando meu lado da... cama.
A realidade é que você tá acostumado com a casa, sabe andar de olhos fechados, conhece cada lugar de tudo. E eu tô acostumada com você por aqui, visitando com esse ar de dono, sabendo mexer nas coisas sem bagunçar. Gosto da sua companhia porque, apesar dos pesares, ela é intensa e isso me fascina. Sentir o peso do seu corpo e ter a certeza que ali comigo tem mais que um corpo e só. Sempre te deixo entrar porque, mesmo quando você tá ausente, você tá aqui, de alguma forma. E porque te expulsar exige mais que uma simples mudança da fechadura, é preciso mudar cada centímetro de tudo, cada pedaço de você infiltrado. E eu prefiro assim, o sofá com seu cheiro, você espalhado, o amor fantasiado de liberdade.

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